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Ressonâncias Climáticas: A Sinfonia das Esferas Percussivas • ópera de Vitor Rua
Apr
7
7:00 PM19:00

Ressonâncias Climáticas: A Sinfonia das Esferas Percussivas • ópera de Vitor Rua

BILHETEIRA

Ressonâncias Climáticas: A Sinfonia das Esferas Percussivas

Autoria: Vitor Rua
Co-autoria, performance: João Pedro Lourenço
Declamação de Prosa: João Reis

Parte 1: "Harmonia das Marés"
Parte 2: "Ritmos da Terra"
Parte 3: "Ecos do Ar"
Parte 4: "Batidas do Fogo"
Parte 5: "Sinfonia Urbana"
Parte 6: "Pulsar das Estrelas"

"Ressonâncias Climáticas: A Sinfonia das Esferas Percussivas" é um espetáculo multimédia que transcende fronteiras artísticas, oferecendo uma experiência sensorial e intelectual única. Integrando performance percussiva, projecções de vídeo, luminotecnia, cenografia imersiva, poesia e processamento de som em tempo real, esta obra transforma a arte num veículo poderoso para reflectir sobre a interconexão entre o ser humano, a natureza e o cosmos.
Concebido por Vitor Rua e magistralmente interpretado por João Pedro Lourenço e João Reis, o espectáculo inspira-se na Teoria das Cordas da física quântica, que postula que todas as partículas do universo vibram como as cordas de um instrumento musical. Este conceito científico é aqui transposto para o universo artístico, criando uma metáfora que combina as vibrações sonoras com as ressonâncias do mundo natural e cósmico. A obra também se enraíza na antiga ideia da Música das Esferas, uma visão que imaginava o movimento dos astros como uma sinfonia celestial, invisível mas omnipresente.
Através de seis partes distintas, cada uma dedicada a um elemento ou aspecto da natureza – da água ao fogo, do vento às florestas, do urbano ao universal – o espetáculo transforma preocupações ambientais em arte. Cada secção é cuidadosamente trabalhada, utilizando instrumentos de percussão e técnicas avançadas de processamento sonoro, para criar paisagens sonoras que reflectem tanto a beleza quanto a fragilidade do planeta.
Mais do que uma mera apresentação artística, "Ressonâncias Climáticas" é uma experiência imersiva que convida o público a sentir, ouvir e pensar sobre a nossa responsabilidade para com o mundo que habitamos. Num momento em que a humanidade enfrenta crises ambientais sem precedentes, este espectáculo surge como um apelo à acção e uma celebração da harmonia universal que conecta todos os seres e elementos do cosmos.
Este espectáculo narra as mudanças climáticas, mas celebra a teia invisível que conecta cada ser vivo, cada elemento, cada som. A Teoria das Cordas encontra a sua metáfora mais vibrante, e a Música das Esferas torna-se tangível. Entre o vibrafone e a bateria, do oceano profundo ao cosmos infinito, somos confrontados com a urgência de preservar, compreender e amar o nosso lugar na sinfonia eterna.

João Reis, actor desde 1989, fez o curso de formação de actores do IFICT – Instituto de Formação Investigação e Criação Teatral – e workshops com Daniel Stein, Daniel Zerky, Polina Klimovitskaya e Lenard Petit, entre outros. Participou em espectáculos encenados por Ricardo Pais, Nuno Carinhas, João Lourenço, José Wallenstein, Luis Miguel Cintra, Giorgio Barberio Corsetti, Jorge Lavelli, Carlos Pimenta, Rui Mendes, Miguel Guilherme, Marcos Barbosa, António Pires, José Neves, Carlos Avilez, Duarte B. Ruas, Adriano Luz, Pedro Mexia, Mário Feliciano, Michel Van der Aa e Diogo Infante.

Encenou, no TNSJ, Buenas Noches, Mi Amor (1999), a partir de “As Três Cartas da Memória das Indias” de Al Berto, Neva, de Guillermo Calderón (O Lince Viaja/ TNSJ, 2015); no Teatro Maria Matos, encenou Transacções, de David Williamson (2009) e, no Teatro São Luiz, co-encenou e interpretou com Ana Nave “Portugal, Meu Remorso”, a partir da obra de Alexandre O’Neill. Comoactor, colaborou ainda com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Gulbenkian, Orquestra Sinfónica do Porto, Divino Sospiro e Remix Ensemble Casa da Música. Foi actor em filmes de João Canijo, Fernando Lopes, Rita Azevedo Gomes, Ruy Guerra, Manoel de Oliveira, Vicente Alves do Ó, Luís Filipe Rocha, Edgar Pêra e Pedro Sena Nunes. Em televisão, participou em inúmeras séries e novelas. No TNSJ, além de corresponsável pelo projecto de teatro radiofónico “Os Sons, Menina!…”, integrou múltiplas produções, das quais se destacam O Grande Teatro do Mundo, de Calderón de la Barca (1996), e A Ilusão Cómica, de Corneille (1999), Macbeth, de Shakespeare (2017) – encenações de Nuno Carinhas; As Lições, a partir de Ionesco (1998), Noite de Reis (1998), Hamlet (2000) e Um Hamlet a mais (2002), de Shakespeare, UBUs, de Alfred Jarry (2005), Turismo Infinito, com textos de Fernando Pessoa (2007-2014) e o Mercador de Veneza (2012) – encenações de Ricardo Pais.

João Pedro Lourenço (Porto, 1998) é um percussionista português dedicado à criação contemporânea.
Motivado pela procura de diversos cruzamentos disciplinares, trabalha com diversos compositores e meios de expressão artística, resultando dessas colaborações estreias absolutas de diversas obras e a partilha do palco com personalidades das mais variadas áreas do saber.
Apresenta-se a solo e noutras formações em diversos festivais do panorama ibérico, como Aveiro_Síntese; Biennal of Contemporary Arts; Festival Síntese – Guarda; Festival Itinerante de Percussão; Mihl Sons XXI (Lugo); Trobada de Percusión (Mallorca); Festival Música Viva; Festival SOXXI (Valência); Festival de Música de Espinho.
Enquanto estudante, João Pedro Lourenço foi premiado em concursos nacionais e internacionais, destacando-se os dois 1os prémios no Concurso Nacional de Interpretação Contemporânea (2017 e 2021), o 1º prémio no Concurso Internacional de Marimba (Palma de Mallorca, 2020) e o 1º prémio no Concurso Internacional de Percussão (Gondomar, 2024), entre outras distinções.
É licenciado em Música pela Universidade do Minho, tendo estendido os seus estudos à Escuela Superior de Musica de Extremadura.
Actualmente, integra o CLAMAT – Centro para a Pesquisa, Difusão e Desenvolvimento da Percussão, onde, para além de exercer as funções de músico percussionista do colectivo, assume também compromisso na área educativa do espaço. Neste âmbito, participou, em 2022, na gravação do disco “City Walk”, um álbum monográfico de Nuno Aroso com música para percussão de João Pedro Oliveira.
É estudante do curso de Mestrado em Ensino de Música da Universidade do Minho e, paralelamente, do curso de Mestrado em Música da Universidade de Aveiro.

Vítor Rua: O Arquitecto do Som e da Experimentação

Da vanguarda ao cosmos sonoro

I. Introdução: Um Criador Fora do Tempo

Vítor Rua é uma das figuras mais prolíficas e visionárias da música portuguesa e internacional. Compositor, guitarrista, improvisador, investigador, escritor, videasta, cineasta e artista plástico, a sua obra atravessa décadas de inovação e reinvenção, mergulhando nas fronteiras entre o rock, o jazz, a música erudita, a electrónica e a improvisação livre. Rua não é apenas um nome na história da música portuguesa, mas sim um dos seus mais ousados arquitectos, desenhando novos territórios sonoros que desafiam a categorização e antecipam o futuro.

II. Da Rebeldia Rock à Música Electrónica: Os Primórdios

Nascido no Porto em 1961, Vítor Rua iniciou o seu percurso musical nos anos 70, fundando os GNR (Grupo Novo Rock), onde estabeleceu uma nova abordagem ao rock português. No entanto, a sua inquietação artística levou-o a abandonar a banda para se dedicar a explorações sonoras mais ousadas. Foi assim que, em 1982, fundou os Telectucom Jorge Lima Barreto, um dos primeiros e mais influentes projetos de música electrónica e improvisação em Portugal. Com os Telectu, Rua mergulhou em territórios da música minimal-repetitiva, jazz mimético e electrónica, criando álbuns que ainda hoje são considerados marcos da experimentação musical em Portugal.

III. Um Catálogo Monumental: Mais de 300 Discos Editados

A vastidão da obra discográfica de Vítor Rua é impressionante. Contabiliza mais de 300 discos editados, navegando entre múltiplas linguagens musicais. Desde a experimentação radical até à música popular desconstruída, Rua explorou cada recanto possível do som. Nos seus discos, podemos encontrar peças de improvisação total, música electroacústica, jazz abstracto, composições microtonais, minimalismo, rock desconstruído e até fado reinventado. A sua capacidade de transcender géneros é uma das suas assinaturas mais marcantes.

IV. Música Erudita: Um Compositor Para a Eternidade

Embora muitas vezes associado à improvisação e experimentação, Vítor Rua é também um dos mais importantes compositores contemporâneos portugueses, com um catálogo de mais de uma centena de obras no domínio da música erudita. As suas composições foram interpretadas por alguns dos mais prestigiados músicos, ensembles e orquestras do mundo, incluindo: Giancarlo Schiaffini (trombone), Daniel Kientzy (saxofone), John Tilbury (piano), Peter Bowman & Katheryn Benetts (flautas), Edwin Prévost (percussão), Remix Ensemble, OrchestrUtópica

A sua música, muitas vezes baseada em estruturas matemáticas e processos aleatórios, desafia a tradicional separação entre composição e improvisação. Entre as suas obras mais importantes encontram-se 11 óperas, variegadas peças orquestrais, música de câmara e trabalhos para instrumentos solistas, todos marcados por uma busca incessante pela inovação tímbrica e estrutural.

V. A Música Sem Fronteiras: Das Américas à China

A internacionalização da sua carreira levou-o a actuar e apresentar o seu trabalho em alguns dos mais importantes palcos do mundo. EUA, China, Cuba, URSS e praticamente toda a Europa já testemunharam a genialidade de Rua, seja como compositor ou performer. A sua música, independente de qualquer rótulo, ressoa para além das barreiras geográficas e estilísticas.

VI. Investigador, Etnomusicólogo e Escritor

Para além de músico e compositor, Vítor Rua tem um papel activo como investigador e etnomusicólogo, reflectindo sobre os processos criativos e a evolução da música. Publicou ensaios sobre a música minimal-repetitiva, jazz mimético, acústica e filosofia do som, além de obras sobre a história da música em Portugal. A sua escrita encontra-se publicada em editoras como a Codax e disponível em plataformas como a Wook e Amazon. Como crítico musical, colabora com publicações como a Rimas e Batidas, Jazz.pt e Revista Minerva, onde continua a analisar e contextualizar a música contemporânea.

 

VII. O Artista Plástico e Cineasta

A música não é o único território criativo de Rua. A sua obra também se estende às artes plásticas e ao cinema. A Perve Galeria tem sido uma das principais responsáveis por divulgar os seus trabalhos visuais, onde a abstração e o experimentalismo são tão evidentes como na sua música. No cinema, realizou diversas obras que desafiam as convenções narrativas e exploram a relação entre imagem e som de forma inovadora.

VIII. Música de Intervenção e o Compromisso Social

A sua carreira também é marcada por um forte activismo artístico. Como músico de intervenção, Vítor Rua usou a sua arte como ferramenta de reflexão e crítica social, tendo sido destaque na revista BLITZ pela sua postura engajada. O seu trabalho não se limita a ser vanguardista do ponto de vista estético; é também um comentário mordaz sobre a sociedade contemporânea, a cultura e a política.

IX. Prémios e Honrarias: O Reconhecimento de um Visionário da Música

Ao longo da sua prolífica carreira, Vítor Rua tem sido distinguido com diversos prémios e homenagens, tanto em Portugal como além-fronteiras, reconhecendo a ousadia e inovação do seu percurso artístico.

Desde cedo, a sua genialidade foi aclamada, conquistando logo com a sua primeira composição o prémio de "Melhor Composição Original" num concurso promovido pelo Instituto Português da Juventude (IPJ). O júri, composto por figuras incontornáveis da música contemporânea portuguesa—Jorge Peixinho, Cândido Lima e Filipe Pires—, premiou a singularidade da sua escrita musical.

Mais tarde, com o saxofonista Daniel Kientzy como intérprete, venceu o prémio regional de "Melhor Composição para Saxofone", com a obra Musique Céréale. Posteriormente, por sugestão do compositor Miguel Azguime, recebeu o prémio de "Melhor Composição Multimédia" para suporte digital, vídeo e saxofone, com a sua obra Saxopera, consolidando a sua presença no território da experimentação interdisciplinar.

A sua contribuição para a arte sonora tem sido reconhecida através de múltiplas homenagens. Em Portugal, recebeu a Medalha de Honra da cidade de Vila Nova de Gaia, a Medalha de Criação nas Artes da cidade de Santarém e, mais recentemente, em 2024, foi agraciado com a Medalha de Mérito da Cidade do Porto.

O impacto do seu trabalho ecoa também além-fronteiras, com distinções e homenagens em grandes centros culturais como Nova Iorque, Madrid e Paris, onde o seu nome ressoa entre os mestres da música experimental e contemporânea.

Estas honrarias sublinham o valor inquestionável de Vítor Rua como um dos mais audazes e inovadores compositores e criadores da música portuguesa e internacional.

 

X. Conclusão: O Legado em Construção

Vítor Rua é um nome incontornável na história da música portuguesa e mundial. Com uma obra que se estende por múltiplas dimensões – da música erudita ao jazz, do rock à electrónica, da improvisação ao cinema e artes plásticas–, Rua não apenas redefiniu os limites do som, como continua a expandi-los. O seu legado é um testemunho vivo da inquietação criativa, da experimentação radical e da recusa em aceitar qualquer limitação artística.

Rua não é apenas um músico. É um criador de universos, um explorador infatigável da matéria sonora e um dos maiores visionários da música contemporânea. O seu nome não será apenas recordado; será constantemente redescoberto, em cada nota, em cada acorde, em cada silêncio carregado de possibilidades infinitas.

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