FESTIVAL MÚSICA VIVA 2026 • insurgência - Insurgency

32ª EDIÇÂO - EDITION - 28 of April to 03 of May 2026 - Teatro São Luiz

Miguel Azguime: música, poesia e insurgência no São Luiz
Entrevista
Por Pedro Mendes (CoffeePAste)

co-produção

Festival Música Viva 2026 afirma-se como um palco de resistência estética e ética num mundo atravessado por crises profundas: a consolidação de poderes hegemónicos, o agravamento das desigualdades, a normalização da tirania, o massacre e a erosão progressiva da humanidade e da natureza. Perante este estado do mundo, o festival assume a insurgência como necessidade vital num gesto consciente contra a inércia, o silenciamento e a indiferença.

Nesta 32ª edição, Insurgência é simultaneamente poética e política. A criação musical surge como acto de confronto, de desvio e de recusa, afirmando a arte como arma sensível contra a violência estrutural, a desumanização e a lógica do medo. As obras apresentadas não procuram o conforto, mas antes a fricção: questionam, expõem feridas, abrem fissuras e convocam novas formas de escuta, pensamento e presença.
O programa cruza linguagens, gerações e geografias, reunindo artistas que desafiam modelos dominantes, exploram os limites do som, do corpo, da palavra e da tecnologia, e afirmam a contemporaneidade como espaço de urgência, pluralidade e risco; encontros que propõem e constroem um percurso de escuta intensa e de reflexão crítica sobre o nosso tempo.

O Festival Música Viva convida este ano a palavra poética como acto político e sonoro: em cada concerto, poetas, escritores, actores, lêem poemas sobre insurgência, resistência e liberdade; vozes que entram em diálogo com as obras musicais, ampliando o campo de sentido de cada encontro. A poesia não ilustra a música nem a música ilustra a poesia, mas ambas habitam o mesmo espaço de risco e, constroem juntas uma forma de presença que recusa a passividade. Poesia e textos de Shahd Wadi, Gisela Casimiro, Jorge de Sena, Luiz de Camões, Audre Lorde, Mrika Sefa, Sidónio Muralha, Gonçalo M. Tavares e Mário Dionisio, por Shahd Wadi, Gisela Casimiro, Rosinda Costa, Mrika Sefa, Marta Domingues, João Morales, Joana Santos e Miguel Azguime.

No Festival Música Viva 2026, insurgir é resistir à uniformização do gosto, é criar contra a violência da repetição, é afirmar a arte como lugar de liberdade, imaginação radical e responsabilidade.
Num mundo em colapso, a arte musical e a arte poética, tornam-se actos simultâneos de insubmissão e de esperança activa.

Festival Música Viva 2026 asserts itself as a stage of aesthetic and ethical resistance in a world traversed by profound crises: the consolidation of hegemonic powers, the deepening of inequalities, the normalisation of tyranny, massacre, and the progressive erosion of humanity and nature. Confronted with this state of the world, the festival embraces insurgency as a vital necessity — a conscious gesture against inertia, silencing, and indifference.

In this 32nd edition, Insurgency is simultaneously poetic and political. Musical creation emerges as an act of confrontation, of deviation and refusal, affirming art as a sensitive weapon against structural violence, dehumanisation, and the logic of fear. The works presented do not seek comfort, but friction: they question, expose wounds, open fissures, and summon new forms of listening, thought, and presence.

The programme crosses languages, generations, and geographies, bringing together artists who challenge dominant models, explore the limits of sound, the body, the word, and technology, and affirm contemporaneity as a space of urgency, plurality, and risk — encounters that propose and build a journey of intense listening and critical reflection on our time.

Festival Música Viva this year invites the poetic word as a political and sonic act: at each concert, poets, writers, and actors read poems on insurgency, resistance, and freedom — voices that enter into dialogue with the musical works, expanding the field of meaning of each encounter. Poetry does not illustrate music, nor music poetry, but both inhabit the same space of risk, and together construct a form of presence that refuses passivity. Poetry and texts by Shahd Wadi, Gisela Casimiro, Jorge de Sena, Luís de Camões, Audre Lorde, Mrika Sefa, Sidónio Muralha, Gonçalo M. Tavares, and Mário Dionísio, read by Shahd Wadi, Gisela Casimiro, Rosinda Costa, Mrika Sefa, Marta Domingues, João Morales, Joana Santos, and Miguel Azguime.

At Festival Música Viva 2026, to rise up is to resist the homogenisation of taste, to create against the violence of repetition, to affirm art as a place of freedom, radical imagination, and responsibility.

In a world in collapse, musical art and poetic art become simultaneous acts of insubmission and active hope.