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MISO STRING QUARTET

  • MARCO 54 Rúa do Príncipe Vigo, 36202 Spain (map)

Festival Vertixe · MARCO, Vigo · 31 Outubro / Octubre 2026

PROGRAMA

Miguel Azguime — Le Feu Qui Dort (2008)

Doina Rotaru — Vivarta (2009)

Kaija Saariaho — Terra Memoria (2006)

Steve Reich — Different Trains (1988)

Miso String Quartet

PORTUGUÊS

O Miso String Quartet nasce, em 2026, da convicção de que o quarteto de cordas permanece hoje um dos mais fecundos espaços de criação, pensamento e escuta. Integrado na actividade da Miso Music Portugal, o ensemble desenvolve um repertório que cruza a grande tradição clássica e romântica com obras de referência dos séculos XX e XXI e com novas encomendas.

A sua identidade artística assenta precisamente nesse diálogo entre passado e presente, procurando não tratar o repertório histórico como património fechado, mas como matéria viva em permanente relação com a criação do nosso tempo. O quarteto assume igualmente a música mista como um território de identidade, integrando electrónica e novas tecnologias sempre que estas fazem parte do pensamento musical das obras.

Constituído por Pedro Lopes (1.º violino), César Nogueira (2.º violino), Joana Cipriano (viola) e Luís André Ferreira (violoncelo), sob direcção artística de Miguel Azguime, o Miso String Quartet afirma-se como um espaço de encontro entre tradição, experimentação e descoberta, promovendo simultaneamente a criação contemporânea, a formação de repertório e a circulação de programas exigentes e de forte identidade artística. Desde a sua concepção, assume também uma clara vocação internacional, procurando inscrever o seu trabalho nas redes europeias de criação e programação, estabelecer colaborações com compositores, ensembles, festivais e instituições de diferentes países e contribuir para uma circulação mais ampla do repertório que defende.

Apresentação do programa

Este programa propõe um percurso por quatro formas distintas, mas profundamente relacionadas, de entender o quarteto de cordas como espaço de transformação, memória e escuta.

Em Le Feu Qui Dort, de Miguel Azguime, o ponto de partida é a própria matéria sonora. A microtonalidade e um pensamento harmónico de matriz espectral permitem explorar o som a partir do seu interior: as suas tensões, ressonâncias, vibrações e gradações. Essa atenção à transformação do som encontra um prolongamento natural em Vivarta, de Doina Rotaru, onde linhas, gestos e texturas se metamorfoseiam continuamente num fluxo orgânico que evoca memória, ritual e circularidade.

Com Terra Memoria, de Kaija Saariaho, a ideia de transformação adquire uma dimensão mais explicitamente ligada à memória. Os sons parecem conservar vestígios daquilo que os precede: surgem, desvanecem-se, regressam transformados, como se a música construísse um espaço onde passado e presente permanecem simultaneamente audíveis. Deste modo, a memória deixa de ser apenas uma evocação para se tornar um princípio de organização da própria matéria musical.

Este fio conduz-nos finalmente a Different Trains, de Steve Reich, onde a memória abandona o domínio do abstracto para adquirir uma dimensão documental e histórica. As vozes gravadas, os sons dos comboios e o quarteto entrelaçam-se a partir das inflexões reais da fala. As memórias de infância de Reich, das suas viagens de comboio pelos Estados Unidos, confrontam-se com os testemunhos de sobreviventes do Holocausto e com os “outros comboios” que atravessavam a Europa durante a Segunda Guerra Mundial.

Assim, o programa desenvolve-se da memória contida no próprio som para a memória individual e colectiva: da vibração e metamorfose da matéria sonora em Azguime e Rotaru, aos vestígios e ressonâncias da memória em Saariaho, até chegar ao testemunho histórico em Reich. Quatro universos muito distintos que convergem numa mesma ideia: o som como matéria viva, capaz de se transformar, conservar vestígios e transmitir memória.


Miso String Quartet

ESPAÑOL

El Miso String Quartet nace, en 2026, de la convicción de que el cuarteto de cuerda sigue siendo hoy uno de los espacios más fecundos de creación, pensamiento y escucha. Integrado en la actividad de Miso Music Portugal, el ensemble desarrolla un repertorio que cruza la gran tradición clásica y romántica con obras de referencia de los siglos XX y XXI y con nuevos encargos.

Su identidad artística se asienta precisamente en ese diálogo entre pasado y presente, procurando no tratar el repertorio histórico como un patrimonio cerrado, sino como una materia viva en permanente relación con la creación de nuestro tiempo. El cuarteto asume igualmente la música mixta como un territorio de identidad, integrando electrónica y nuevas tecnologías siempre que estas formen parte del pensamiento musical de las obras.

Formado por Pedro Lopes (primer violín), César Nogueira (segundo violín), Joana Cipriano (viola) y Luís André Ferreira (violonchelo), bajo la dirección artística de Miguel Azguime, el Miso String Quartet se afirma como un espacio de encuentro entre tradición, experimentación y descubrimiento, promoviendo simultáneamente la creación contemporánea, la construcción de repertorio y la circulación de programas exigentes y de fuerte identidad artística. Desde su concepción, el cuarteto asume también una clara vocación internacional, buscando inscribir su trabajo en las redes europeas de creación y programación, establecer colaboraciones con compositores, ensembles, festivales e instituciones de distintos países y contribuir a una circulación más amplia del repertorio que defiende.

Presentación del programa

Este programa propone un recorrido por cuatro maneras distintas, pero profundamente relacionadas, de entender el cuarteto de cuerda como espacio de transformación, memoria y escucha.

En Le Feu Qui Dort, de Miguel Azguime, el punto de partida es la propia materia sonora. La microtonalidad y un pensamiento armónico de raíz espectral permiten explorar el sonido desde su interior: sus tensiones, resonancias, vibraciones y gradaciones. Esa atención a la transformación del sonido encuentra una prolongación natural en Vivarta, de Doina Rotaru, donde líneas, gestos y texturas se metamorfosean continuamente dentro de un flujo orgánico que evoca memoria, ritual y circularidad.

Con Terra Memoria, de Kaija Saariaho, la idea de transformación adquiere una dimensión más explícitamente ligada al recuerdo. Los sonidos parecen conservar huellas de aquello que los precede: aparecen, se desvanecen, regresan transformados, como si la música construyera un espacio donde pasado y presente permanecen simultáneamente audibles. De este modo, la memoria deja de ser solamente una evocación para convertirse en un principio de organización de la propia materia musical.

Ese hilo conduce finalmente a Different Trains, de Steve Reich, donde la memoria abandona el terreno de lo abstracto para adquirir una dimensión documental e histórica. Las voces grabadas, los sonidos de trenes y el cuarteto se entrelazan a partir de las inflexiones reales del habla. Las memorias infantiles de Reich de sus viajes en tren por Estados Unidos se confrontan con los testimonios de supervivientes del Holocausto y con los “otros trenes” que atravesaban Europa durante la Segunda Guerra Mundial.

Así, el programa avanza desde la memoria contenida en el propio sonido hacia la memoria individual y colectiva: de la vibración y la metamorfosis de la materia sonora en Azguime y Rotaru, a los vestigios y resonancias del recuerdo en Saariaho, hasta llegar al testimonio histórico en Reich. Cuatro universos muy distintos que convergen en una misma idea: el sonido como materia viva, capaz de transformarse, conservar huellas y transmitir memoria.