Sala Luís Miguel Cintra 20h
“O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO”
Programa
Leitura de Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya de Jorge de Sena por Rosinda Costa
Fernando Lopes-Graça:: Prelúdio, Canção e Dança (1928)
Frederic Rzewski: The People United Will Never Be Defeated! (1975)
JOSÉ PEDRO RIBEIRO – piano
fotografias ©EGEAC – Teatro São Luiz, Pedro Rosário Nunes.
Este recital do pianista José Pedro Ribeiro convoca duas figuras maiores da criação musical que fizeram da arte um espaço de resistência ética, política e estética.
O programa coloca em diálogo a obra monumental The People United Will Never Be Defeated! (1975) de Frederic Rzewski com uma obra de Fernando Lopes-Graça, compositor português profundamente marcado pelo seu compromisso cívico e pela oposição ao regime autoritário do Estado Novo. Em ambos, a música afirma-se como gesto de consciência e de intervenção, transformando o som em lugar de memória, de crítica e de esperança.
Escrita a partir da célebre canção chilena associada às lutas populares na América Latina, a obra de Rzewski constrói um vasto ciclo de variações que explora os limites expressivos e técnicos do piano, articulando virtuosismo, improvisação, experimentação sonora e reflexão política. Já na música de Lopes-Graça, a relação entre tradição popular, modernidade estética e compromisso ético traduz-se numa escrita intensa e profundamente enraizada na realidade cultural e social portuguesa.
Interpretado por um dos pianistas portugueses mais destacados da sua geração, este recital propõe uma escuta que ultrapassa o mero gesto musical para afirmar o piano como espaço de pensamento e de resistência. Num festival que assume a insurgência como necessidade vital contra a indiferença e a normalização da violência, estas obras recordam-nos que a música pode ser também um acto de insubmissão, uma forma de memória activa e um horizonte de liberdade.
José Pedro Ribeiro (n. 1995) afirma-se como um dos pianistas portugueses mais ativos do panorama atual, com uma presença regular em importantes salas e festivais nacionais e internacionais.
Vencedor do Prémio Jovens Músicos em Piano (2019) e em Música de Câmara (2017, com o Trio Adamastor), tem desenvolvido uma atividade consistente tanto a solo como em contexto camerístico, destacando-se pela versatilidade do seu repertório e pela atenção à criação musical dos séculos XX e XXI.
Apresenta-se regularmente em instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian, Casa da Música, Centro Cultural de Belém, Teatro São Luiz e Academia das Ciências de Lisboa, bem como em festivais como o Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, Música no Termo, Festival do Estoril e Festival World New Music Days.
Tem colaborado com diversas formações orquestrais e ensembles, afirmando um percurso marcado pela exigência artística e pela diversidade de contextos interpretativos.
