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“DESFASAMENTOS: Steve Reich e Solange Azevedo” • GRUPO DE PERCUSSÃO DA ORQUESTRA DE CÂMARA PORTUGUESA

  • Teatro São Luiz Lisboa Portugal (map)

Sala Luís Miguel Cintra 20h

“DESFASAMENTOS: Steve Reich e Solange Azevedo”

Programa
Leitura de poema
Com Sol e Sal, eu Escrevo"de Sidónio Muralha, por João Morales

Solange Azevedo: nova obra / EA (encomenda Miso Music Portugal)
Steve Reich: Drumming      

GRUPO DE PERCUSSÃO DA ORQUESTRA DE CÂMARA PORTUGUESA e CONVIDADOS

Pedro Carneiro - direcção e percussão;
Flauta: Rui Borges Maia
Soprano: Maria Grilo
Mezzo-Soprano: Markéta Chumová
Assistente direção e Percussão: João Carlos Pacheco
Percussão: Agostinho Sequeira, Marco Aleixo, João Braga Simões, Rafael Picamilho, Bárbara Ribeiro, Paulo Amendoeira, Madalena Rato

Em 2026, comemora-se o 90.º aniversário de Steve Reich, figura fundamental da música contemporânea norte-americana. Para assinalar esta importante efeméride, o Grupo de Percussão da Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP) e o festival Música Viva apresentam Drumming, uma obra lendária e um dos mais significativos exemplos do minimalismo norte-americano. Uma viagem de Reich ao Gana, realizada em 1970, influenciou a conceção desta obra musical, impulsionando uma investigação sobre a riqueza sonora da percussão, a sonoridade acústica e padrões curtos e repetitivos, cuidadosamente desalinhados num processo que integra múltiplas dinâmicas de tensão rítmica e a criação radical de novas combinações. 

Drumming constitui a sua composição mais extensa (com uma duração que oscila entre os 55 e os 75 minutos, consoante o número de repetições) e baseia-se no aperfeiçoamento final de um processo de desfasamento rítmico que denominou de “phasing”. É composta por quatro partes interpretadas ininterruptamente: a primeira secção destina-se a quatro pares de bongos afinados; a segunda, a três marimbas e duas vozes femininas; a terceira, a três glockenspiels, assobio e flautim; e a quarta secção conjuga um grande agrupamento composto por todos estes instrumentos e vozes (que não cantam palavras, mas mimetizam o som dos instrumentos, tornando-se parte integrante da sonoridade acústica instrumental). A música, desde o seu início vibrante, mantém um único padrão rítmico fundamental de doze impulsos, o qual sofre alterações de fase, afinação e timbre, culminando num final exultante. 

Em contraponto, será apresentada em estreia absoluta a obra de Solange Azevedo (n. 1995), a compositora selecionada no MÚSICA VIVA – Call Ibérico para Compositoras. Sob a temática da “Insurgência” e inspirada na instrumentação de Drumming, Azevedo explora de forma poética a magia da interação entre o par de marimbas (ambos interpretados a quatro mãos, evocando os formatos intimistas de Schubert) com a flauta e as vozes. É de realçar a utilização de varas roscadas de madeira, no teclado da marimba, viabilizando um novo som cantabile do instrumento, uma qualidade sonora tipicamente associada a instrumentos de corda ou à própria voz. 

Nas suas próprias palavras: “Existe um cálculo que estima o número aproximado de cores que a visão humana é capaz de distinguir. Este número é necessariamente limitado e condicionado pela fisiologia do olho e pelo cérebro, variando também de indivíduo para indivíduo. Essa variabilidade percetiva sustenta a perspetiva de que a experiência da cor não é fixa nem universal, mas dependente do olhar que a apreende. No Mesmo Espaço utiliza o espetro visível como ponto de partida para refletir sobre a diversidade. Se a luz engloba milhões de variações cromáticas, também o mundo contém múltiplos modos de existência. A diversidade não é uma exceção, mas sim parte constitutiva da realidade. Cada instante da peça assemelha-se à contemplação de uma luz imaginada. Observamos como ela se movimenta e se propaga pelo espaço, revelando cores — por vezes de forma lenta e progressiva, por outras de maneira mais célere.”

Distanciadas por mais de uma geração em termos etários e mais de cinquenta na data de composição, as obras de Reich e Azevedo convergem neste momento no tempo e no espaço para celebrar a plenitude cromática do mundo, através da luz, do vigor e da pulsão vital expressa pelas vozes, sopros e baquetas deste Grupo de Percussão da Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP) e convidados.

Pedro Carneiro

Maestro, percussionista, compositor, pedagogo. É cofundador e diretor artístico da Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP), do ensemble inclusivo Notas de Contacto, da Jovem Orquestra Portuguesa (JOP) e diversos projectos de cariz social. Recebeu, entre outras distinções, o Prémio Gulbenkian Arte, uma distinção do Presidente Jorge Sampaio (nos 30 anos do 25 de Abril) e a Medalha de Honra da Cidade de Setúbal.

Tocou e dirigiu em estreia absoluta mais de uma centena de novas obras e colabora com prestigiados músicos nacionais e internacionais por todo o mundo. Apresentou-se com as mais variadas orquestras nacionais e internacionais: Orquestra Gulbenkian, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Los Angeles Philharmonic, Seattle Symphony Orchestra, Budapest Festival Orchestra, Helsinki Philharmonic, Vienna Chamber Orchestra, Swedish Chamber Orchestra, SWR Symphonieorchester, English Chamber Orchestra, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, BBC National Orchestra of Wales, entre muitas outras.

Apresenta-se regularmente como maestro e solista/diretor, dirigindo obras concertantes a partir da marimba. É professor na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML). A sua extensa discografia (que inclui registos a solo, música de câmara, obras concertantes e improvisação) está disponível em diversas etiquetas discográficas, como a ECM Records, Clean Feed e Rattle Records.

©Patrícia Andrade

Orquestra de Câmara Portuguesa

A Orquestra de Câmara Portuguesa - Associação Musical foi fundada por Pedro Carneiro, Teresa Simas, Alexandre Dias e José Augusto Carneiro, em 2007, estreando-se na abertura da Temporada do Centro Cultural de Belém, a convite de António Mega Ferreira, que a par de Miguel Coelho impulsionaram a OCP. 

A OCP tem estatuto de Utilidade Pública, promove iniciativas como o “Notas de Contacto”, dedicado a pessoas com deficiência cognitiva, a “Orquestra dos Navegadores” e as “Sementes”, para crianças e adolescentes, e a OCPdois ponto de encontro de músicos profissionais e amadores.

Em 2010, lançou a Jovem Orquestra Portuguesa, representante de Portugal na Federação Europeia de Jovens Orquestras Nacionais, com  internacionalizações no Ateneu de Bucareste e na Konzerthaus de Berlim (Festival Young Euro Classic). Participante ativa no programa de intercâmbio de jovens músicos europeus, MusXchange, e Fundação Dudamel.

A OCP reúne músicos profissionais independentes que preparam programas inovadores. Internacionalizou-se em 2010 no City of London Festival, e em Portugal já atuou por todo o país. Destacam-se as colaborações com a Companhia Nacional de Bailado, e festivais como o Cistermúsica, Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, Festival das Artes, Festival ao Largo, Festival de Sintra, Operafest, e Festival de Ópera de Óbidos. A OCP promove todos os anos o FIMCO (Festival Internacional de Música de Oeiras).

A OCP tem o apoio da Direção-Geral das Artes e de parceiros institucionais como os municípios de Lisboa e Oeiras, a PwC, a Antena 2, a Fundação GDA, e os governos dos Açores e Madeira.