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“O LUGAR DA MEMÓRIA” • ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA #8

  • Teatro São Luiz Lisboa Portugal (map)

Sala Luís Miguel Cintra 17h30

“O LUGAR DA MEMÓRIA”

Programa

Leitura de poemas de Le Feu Qui Dort de Mário Dionísio por Miguel Azguime

Miguel Azguime: Against Silence / triplo concerto para clarinete,  violoncelo, piano e orquestra
Ludwig van Beethoven: Triplo Concerto para violino, violoncelo, piano e orquestra

ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA

Pedro Neves - direcção
Nuno Pinto - clarinete; Vítor Vieira - violino;
Filipe Quaresma - violoncelo; Elsa Silva - piano 

O concerto de encerramento do Festival Música Viva 2026, dedicado ao tema “Insurgência”, reúne duas obras que, separadas por mais de dois séculos, convergem numa mesma afirmação da música como espaço de liberdade, diálogo e resistência.

Sob a direcção de Pedro Neves, a Orquestra Metropolitana de Lisboa apresenta Against Silence – Triplo Concerto para clarinete, violoncelo, piano e orquestra de cordas de Miguel Azguime. Nesta obra, o confronto entre três solistas e o corpo orquestral constrói um espaço dramático onde o som se afirma como gesto de resistência contra o silêncio imposto, contra a indiferença e contra a erosão da escuta no mundo contemporâneo. A escrita de Azguime explora a tensão entre individualidade e colectivo, fazendo emergir um discurso musical que transforma o diálogo instrumental numa metáfora da própria necessidade de insurgência.

Em diálogo com esta criação contemporânea, o programa apresenta o Triplo Concerto de Ludwig van Beethoven, obra singular do repertório clássico que reúne violino, violoncelo e piano numa relação de colaboração e equilíbrio com a orquestra. Composta no início do século XIX, esta partitura reflete já o espírito humanista e emancipador que atravessa a obra de Beethoven, afirmando a música como espaço de encontro entre vozes individuais e comunidade.

Colocadas lado a lado, estas duas obras revelam como, em épocas distintas, a música pode tornar-se gesto de afirmação e de liberdade. No contexto do Festival Música Viva 2026, que convoca a insurgência como resposta à violência, à normalização da tirania e à erosão da humanidade, este concerto final transforma o palco orquestral num espaço de escuta activa e de pensamento crítico - onde a música se ergue contra o silêncio e reafirma a sua capacidade de imaginar futuros possíveis.


 

A Orquestra Metropolitana de Lisboa é pedra angular de um projeto que se estende além do formato habitual de uma orquestra clássica. Quando se apresentou pela primeira vez em público a 10 de junho de 1992, anunciou o propósito de fazer confluir as missões artística, pedagógica e cívica. Estreou obras de grande parte dos compositores portugueses no ativo e, para lá da música que se reconhece na tradição clássica europeia, toca ainda outros estilos e tradições, tendo já partilhado palco com os Xutos & Pontapés, Carlos do Carmo, Rui Veloso, Mário Laginha, Tito Paris, Sérgio Godinho e muitos outros.

Entre tantos, foi dirigida pelos maestros Enrique Dimecke, Arild Remmereit, Christopher Hogwood, Theodor Guschlbauer, Emilio Pomàrico e, mais regularmente, Nicholas Kraemer, Brian Schembri (Maestro Titular em 2003/2004), Olivier Cuendet, Enrico Onofri e Michael Zilm.

 

 

Pedro Neves é, desde janeiro de 2021, Diretor Artístico e Maestro Titular da Orquestra Metropolitana de Lisboa. Foi Maestro Titular da Orquestra do Algarve entre 2011 e 2013, e posteriormente, Maestro Associado da Orquestra Gulbenkian, entre 2013 e 2018. É convidado regularmente para dirigir a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra Filarmonia das Beiras, a Orquestra Clássica do Sul, a Orquestra Clássica da Madeira, a Orquestra Sinfónica do Estado de São Paulo, a Orquestra Sinfónica de Porto Alegre, a Orquestra Filarmónica do Luxemburgo e a Real Filarmonia da Galiza.

 

No âmbito da música contemporânea, tem colaborado com o Remix Ensemble Casa da Música, o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, o Síntese Grupo de Música Contemporânea e o Sond’Ar-te Electric Ensemble, com o qual realizou estreias de vários compositores portugueses e estrangeiros, fazendo digressões pela Coreia do Sul e Japão. É fundador da Camerata Alma Mater, agrupamento dedicado à interpretação de repertório para orquestra de cordas e com a qual tem recebido uma elogiosa aceitação por parte do público e da crítica especializada.

 

Pedro Neves iniciou os seus estudos musicais em Águeda, sua terra natal. Estudou violoncelo com Isabel Boiça, Paulo Gaio Lima e Marçal Cervera; respetivamente, no Conservatório de Música de Aveiro, na Academia Nacional Superior de Orquestra (Lisboa) e na Escuela de Música Juan Pedro Carrero (Barcelona), com o apoio da Fundação Gulbenkian. No que respeita à Direção de Orquestra, estudou com Jean-Marc Burfin, obtendo o grau de Licenciatura na Academia Nacional Superior de Orquestra, com Emilio Pomàrico, em Milão, e com Michael Zilm, de quem foi assistente. O resultado deste seu percurso faz com que a sua personalidade artística seja marcada pela profundidade, coerência e seriedade da interpretação musical.