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MÚSICA / TRANSFORMAÇÃO – SINFONIETTA DE BRAGA CONVIDA RITA CASTRO BLANCO”

  • Teatro São Luiz Lisboa Portugal (map)

Sala Luís Miguel Cintra 20h

“MÚSICA / TRANSFORMAÇÃO – SINFONIETTA DE BRAGA CONVIDA RITA CASTRO BLANCO”

Programa

Leitura de poemas de e por Gonçalo M. Tavares

Alban Berg - 3 peças para orquestra de cordas da Suite Lírica (1925–26 / arr. Theo Verbey, 1993)
György Ligeti: Ramifications (1969)
Toru Takemitsu: Requiem para orquestra de cordas (1957)
Bruno Gabirro: Rebel (Chaos) (2008)
Carlos Brito Dias: "was birgst du so bang dein Gesicht?” (2022)          

Rita Castro Blanco Direcção

 SINFONIETTA DE BRAGA

O concerto da Sinfonietta de Braga, sob a direção de Rita Castro Blanco, propõe um percurso intenso pelas linguagens mais marcantes da escrita para orquestra de cordas dos séculos XX e XXI, explorando os limites expressivos e tímbricos deste corpo instrumental. Ao reunir obras de diferentes geografias e gerações, o concerto constrói um diálogo contínuo entre o legado do modernismo e a criação do nosso tempo, e revela como a música pode tornar-se espaço de confronto, introspeção e transformação.

A abertura do programa apresenta três peças da Suite Lírica de Alban Berg, numa versão para orquestra de cordas que amplifica a densidade expressiva e o lirismo inquieto desta obra central da Segunda Escola de Viena. Na música de Berg, profundamente humana e carregada de tensão emocional, ecoam já as fraturas de um mundo em mudança.

Segue-se Ramifications de György Ligeti, peça emblemática na qual a divisão subtil da afinação entre dois grupos de cordas cria um campo sonoro instável e vibrante. As suas texturas micro-polifónicas fazem emergir uma matéria musical em permanente mutação, onde o som parece oscilar entre densidade e dissolução.

Com o Requiem para orquestra de cordas de Tōru Takemitsu, o concerto entra numa dimensão de profunda contemplação. Escrita em memória de um mentor do compositor, esta obra tornou-se uma das páginas mais intensas da música japonesa do século XX, onde silêncio, ressonância e timbre constroem uma atmosfera de recolhimento e gravidade poética.

A vitalidade da criação portuguesa contemporânea manifesta-se em duas obras que, de diferentes formas, dialogam com a ideia de resistência implícita no tema do festival. Em Rebel (Chaos), Bruno Gabirroexplora uma escrita incisiva e energética, onde o gesto musical se afirma com vigor e contraste. Já was birgst du so bang dein Gesicht? de Carlos Brito Dias, cujo título ecoa um verso da tradição germânica, convoca uma dimensão interrogativa e introspectiva, como se a música procurasse revelar aquilo que permanece oculto sob a superfície da experiência humana.

Neste contexto, o concerto da Sinfonietta de Braga propõe uma escuta que ultrapassa o mero gesto estético para se afirmar como reflexão sensível sobre o nosso tempo. Entre lirismo, tensão e contemplação, estas obras lembram-nos que a música continua a ser um lugar privilegiado para imaginar, questionar e reinventar o mundo.

 

Fundada em 2006 e reestruturada em 2016, a Sinfonietta de Braga dedica-se à missão de potenciar carreiras musicais, formar públicos e dinamizar a oferta cultural, com um foco especial na região de Braga. Cultivando um portefólio artístico focado na qualidade e diversidade musical, a Sinfonietta afirma-se hoje como um dos principais pilares da cultura na região, contando com o apoio dos Municípios de Braga, Esposende, Monção, Bragança e ainda o Apoio Sustentado da DGArtes desde 2023.

Além da sua programação própria, centrada nos projetos Falando de Música, Festival Arcada e Re:Opera, a Sinfonietta de Braga tem colaborado com diversas iniciativas e instituições, participando em festivais e ciclos culturais como o Ciclo Contraponto, no Theatro Circo, a Semana Santa de Braga, a Viagem de Inverno/Braga é Natal e a Braga Barroca. Em 2025 apresentou a sua primeira edição discográfica, intitulada "Arco da Corda Nova", na qual une esforços com o guitarrista Artur Caldeira para explorar a música tradicional portuguesa com orquestra de cordas.

 

Rita Castro Blanco é uma das eminentes maestrinas portuguesas da sua geração, tendo-se estreado com a Orquestra Gulbenkian, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra das Beiras, Orquestra do Norte, Orquestra Clássica de Espinho e MPMP. De Setembro de 2019 a Janeiro de 2022, deteve o posto de Maestrina Titular da Huddersfield Philharmonic Orchestra.

Para além das numerosas estreias, a jovem maestrina colaborou profissionalmente como Assistente de Nuno Coelho (Orquestra Gulbenkian, JONDE), Joana Carneiro (Orquestra Sinfónica Portuguesa) e Clark Rundell (Orquestra Gulbenkian). Durante os seus estudos no Royal Northern College of Music fez também assistências nas orquestras BBC Philharmonic, Royal Liverpool Philharmonic Orchestra, Manchester Camerata e Hallé, para maestros como Sir Mark Elder, Vasily Petrenko, Elim Chan, John Storgards, Joana Carneiro, Ed Gardner e Simone Young.

Desde o início dos seus estudos tem vindo a participar em masterclasses com as orquestras da Royal Opera House, London Sinfonietta, Stavanger Symphony Orchestra e Balthasar Neumann Essemble. No passado verão foi Conducting Fellow no conceituado Festival de Tanglewood, tendo também integrado o Mentorship for Women Conductors do Festival de Aix-en-Provence e a Conducting Fellowship no Festival de Lucerne, ambos em 2021. Os seus mais recentes compromissos incluem estreias com a Staatstheatre Darmstadt e a Orquestra Sinfónica da Casa da Música.