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“INSURGÊNCIA” • SOND’AR-TE ELECTRIC ENSEMBLE

  • Teatro São Luiz Lisboa Portugal (map)

Sala Luís Miguel Cintra 20h

“INSURGÊNCIA”

Programa

Leitura do poema
Chuva de Jasmim, de e por Shahd Wadi, poeta palestiniana, entre outras possibilidades.

José Carlos Sousa - Mafish Mushkila – *
Pedro Berardinelli - pela pele – **
Carlos Lopes – in Pulses – ***

Olivier Messiaen – Quarteto para o Fin do Tempo (1941)
I. “Liturgia de cristal”
II. “Vocalise, para o Anjo que anuncia o fim do Tempo”
III. “Abismo dos pássaros”
IV. “Interlúdio”
V. “Louvor à Eternidade de Jesus”
VI. “Dança do furor, para as sete trombetas”
VII. “Turbilhão de arco-íris, para o Anjo que anuncia o fim do Tempo”
VIII. “Louvor à Imortalidade de Jesus”


*  encomenda Sond’Ar-te Electric Ensemble
**  encomenda conjunta FIMPV e Miso Music Portugal
***  encomenda Miso Music Portugal             


SOND’AR-TE ELECTRIC ENSEMBLE
Guillaume Bourgogne - direcção
Sílvia Cancela – flauta
Nuno Pinto – clarinete
Vítor Vieira – violino
Filipe Quaresma – violoncelo
João Casimiro Almeida – piano
João Dias - percussão

O Sond'Ar-te Electric Ensemble, ensemble residente da Miso Music Portugal, apresenta neste programa um percurso musical que se inscreve plenamente na temática “Insurgência” do Festival Música Viva. Reunindo três estreias absolutas dos compositores portugueses Carlos Lopes, Pedro Berardinelli e José Carlos Sousa, obras encomendadas pelo próprio ensemble e pela Miso Music Portugal, o programa afirma a criação contemporânea como espaço de risco, de pensamento e de afirmação artística.

Estas novas obras dialogam com uma das criações mais emblemáticas do século XX, o Quatuor pour la fin du temps de Olivier Messiaen, composto e estreado em 1941 no campo de prisioneiros de guerra de Görlitz. Nascida num contexto extremo de violência e privação, esta obra permanece como um poderoso testemunho da capacidade da música para afirmar a dignidade humana e a transcendência mesmo nas circunstâncias mais adversas.

Ao colocar em diálogo a urgência da criação contemporânea com esta obra seminal, o Sond’Ar-te Electric Ensemble constrói um programa que entende a música como gesto de resistência, de consciência e de liberdade. Interpretado por músicos de reconhecida excelência artística e profundo compromisso com a música do nosso tempo, este concerto propõe uma experiência de escuta intensa, onde a criação se afirma como espaço de insurgência poética e ética — um acto de imaginação crítica perante as tensões e desafios do presente.



Guillaume Bourgogne é director artístico e musical do Ensemble Op.Cit (Lyon, França) e do Ensemble contemporain da HEMU (Lausanne, Suíça), bem como director musical do Ensemble Cairn (Paris, França) e maestro convidado principal da Camerata Aberta (São Paulo, Brasil) entre 2010 e 2018. Estudou direcção de orquestra com János Fürst no Conservatoire national supérieur de musique et de danse de Paris, onde obteve vários primeiros prémios.

Apresentou-se como maestro convidado com agrupamentos e orquestras como o Ensemble Intercontemporain, a Orquestra Gulbenkian, a Orchestre national de Lille, L’Itinéraire, Contrechamps, Court-Circuit, 2e2m e o Sond’Ar-te Electric Ensemble. Em 2022, dirigiu a estreia de L’Annonce faite à Marie, ópera de Philippe Leroux. Dirigiu também a estreia de numerosas obras de compositores como Jérôme Combier, Noriko Baba, Tristan Murail, Gérard Pesson, Agata Zubel, Raphaël Cendo, Chris Paul Harman, Luis Naón e Miguel Azguime.

Guillaume Bourgogne foi Professor Assistente e posteriormente Professor Associado de Direcção de Orquestra na Schulich School of Music da McGill University, entre 2013 e 2022 (Montreal, Quebec), antes de ser nomeado Professor Associado na Haute école de musique Vaud Valais Fribourg (Lausanne), onde lecciona actualmente.

As suas colaborações levaram-no a alguns dos mais prestigiados festivais internacionais, e a sua discografia recebeu diversos prémios: Diapason d’or, Grand Prix de l’Académie Charles Cros, Coup de cœur de l’Académie Charles Cros, Prix de la critique Bravo! e Disque d’or.

 

O Sond’Ar-te Electric Ensemble é um ensemble inovador dedicado à música contemporânea no panorama europeu da nova música. A sua estrutura base assenta na combinação permanente de 5 a 8 instrumentos acústicos (flauta, clarinete, violino, viola, violoncelo, piano, percussão e voz) e da eletrónica, apoiando-se na experiência técnica do Miso Studio.

O repertório do Sond’Ar-te Electric Ensemble abrange algumas das mais importantes obras para ensemble de 5 a 8 instrumentos dos séculos XX e XXI. Uma das características centrais deste projecto é a encomenda regular de novas obras, promovendo assim o desenvolvimento forte e dinâmico da música de câmara contemporânea com eletrónica, com especial atenção à criação portuguesa. Neste mesmo sentido lançou até esta data 6 volumes fonográficos com obras de autores portugueses.

Constituído por uma geração de músicos de excepção, com carreiras individuais como solistas, o ensemble alcançou, desde a sua estreia em Setembro de 2007, um elevado nível artístico, afirmando-se como uma referência em Portugal e no estrangeiro no que respeita à música mista. Para além da sua atividade concertística em Portugal, apresentou-se também na Alemanha, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, França, Japão, Polónia, Reino Unido e Suiça. Paralelamente, o Sond’Ar-te tem desenvolvido projectos de teatro musical e multimédia, actividades pedagógicas como o Forum for Young Composers, e iniciativas de formação de públicos através de programas especialmente concebidos para jovens.